
ASSASSINATO
Vozes se erguem, transformando sons em brados
cânticos enviesados se fazem presentes na hora
uma suave brisa desorienta-se e venta forte
previsões de morte, aéreas, grifam o pano
O cheiro é forte, o gosto é acre e a cor se avulta,
aparecem fantasmas, a desfilar, atentos
ao fim que se aproxima em lentos
passos vis e descompassados.
O colosso ergue-se, enquanto os olhos tremem
as mãos tentam esconder o horror ao tato
os passos se aligeiram, e as pernas se enlaçam
o corpo escorrega
denso
ao toque do carrasco
e
enfim,
sucumbe, estanque,
sobre as pedras pontiaguadas
Um fio de sangue colore o momento
Heloisa Helena - 16.10.1990
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