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Thursday, December 21, 2006


FELIZ NATAL



Os homens, com os sentimentos fartamente esfarrapados desejam um FELIZ NATAL!
A alegria, encolhida dentro da alma, com a mão estendida, à frente de uma igreja ou no ângulo obtuso de uma esquina, espera um FELIZ NATAL.
A violência, atolada na maldade, submersa numa obscena ânsia por sangue, esfaqueia o FELIZ NATAL.
A criança, sem família, sem destino, atirada pelas ruas, torturada pela propaganda televisiva nas vitrines de eletrodomésticos, nem sabe o que é NATAL.
O velho, já quase morto, num asilo qualquer da cidade, implora um NATAL ao lado de Deus.
Os inimigos declarados, tornam-se “amigos ocultos”; a hipocrisia toma conta do arvoredo dos corações e as mentes tornam-se dementes, profanadas pela histeria de um estupendo cinismo. E prossegue os bons augúrios de FELIZ NATAL!
Lágrimas lavando o chão dos hospitais, em tristes situações de desespero e perdas. Nas estradas, rodas esmagando cérebros; nos cemitérios, cenas entorpecentes de adeus.
As guerras dilacerando parte do mundo; seres torturados, massacrados, tolhidos em sua dignidade de forma espúria; cicatrizes mostrando as marcas do sofrimento; feridas abertas, purgando a revolta e a fome... mas, mesmo assim, a imbecilidade humana não se cansa de – sorridente e estupidamente – desejar um FELIZ NATAL!
Enquanto isso, a mídia encarrega-se de deflagrar a ALEGRIA DO NATAL; a estranha e estupefata alegria, que só chega à vida dos privilegiados, dos abastados, dos ladrões e dos corruptos. Se é que essa alegria, realmente é genuína, sincera, verdadeira, não sei! Ou seria, simplesmente, um golpe de marketing, transformando uma festa Cristã em um shopping de exploração de sentimentos, visando, apenas, a obtenção redundante dos lucros?!
Por isso, desejo a todos um FELIZ TODO DIA, TODA HORA, TODO SEGUNDO, TODA VIDA, pois, baseada em tudo que Cristo ensinou, não me vêm à lembrança ele ter pregado – uma só vez - a desigualdade entre os homens. Portanto, seu nascimento JAMAIS PODERIA ser comemorado de uma forma tão contundente de dessemelhança social!, Ele sempre desejou o bem do próximo em todas as horas de sua vida e, até, na sua morte.
Então, a todos os amigos e, também aos inimigos, desejo FELICIDADE, FARTURA, AMOR E PAZ, hoje e sempre; não apenas no NATAL


Heloisa Helena Martins
Em 21 de dezembro de 2006

Wednesday, November 29, 2006
















APENAS O AMOR

Heloisa Helena – 28.11.2006

Avessa às palavras e à paz
A guerra deflagra
Um funesto brinde de vísceras
Explosivas, escarlates, marrons
Tons mesclados pela carniça cerebral humana
Insana capacidade de detonar vidas

E o amor
Esgarçado em feridas
Perene, segue as exéquias
Quando conseguem existir

Um cheiro entupido de enxofre
Emana dos estilhaços de bomba
Os gritos orvalhados pelo medo
Ecoam nas ruas e matas
Enquanto as nuances satânicas prosseguem
Avessas às súplicas ou pedidos de clemência
E das acrópoles das igrejas
Jorram lágrimas
E sangue

Crianças esmagadas pelas mães
Rotas, pela estrada se agitam
A barbárie arrota a peçonha da mutilação
Do corpo, da alma,
sem piedade, ou vergonha

É a guerra,
Pois não?
Os poderosos atrás do papel bomba
Dos tonéis de petróleo







Das terras, lagos, montanhas,
Pedras, prata, minérios
Dos frutos, das flores
Império
Que a todos pertence
Arrancando vidas,
Dilacerando idéias
Num estupro coletivo da mãe Terra

Em nome de Deus
Em nome da honra
Em nome da masmorra eclesiástica
Da Cruz Suástica
Da Estrela de Davi
Em nome do Rei
Do operário
Do sagrado
Do profano
Atrás das trincheiras do ódio
Num triste e mal cheiroso eclipse
Esconde-se a raça humana
Atrás das demoníacas guerras santas

Como a sombra do poder
É o amor
Esta e´a única arma capaz
De destruir o torpor
Desta insanidade ferrenha
Transformando-a em lenha
Na fogueira
No calor
De um dia ensolarado
Em que as vidas







Absolutas
Majestosas
Garbosas
Possam, realmente,
Dar prosseguimento a seus desígnios
À sua saga
A seu destino
Sem a interferência lasciva
De uma metralhadora
Ou míssil.
Enquanto o tempo,
Insone,
Delineia o contorno do infinito
Através da História.

Só e somente só e apenas o amor
Palavra mágica
Que deve ser manifestada em gestos
Em cantos
Em alentos
Em abraços
Em laços eternos
Em olhares espertos
Em sorrisos de estímulo
Em caminhos
Atalhos
Pergaminhos,
cartilhas
Beijos, alegria, encanto,
Trilha, poesia, acalanto...










Inexoravelmente,
Nada mais nem menos e somente
O amor
Pode construir a torre calcária
Ou a Torre de Babel
Chegando ao Céu...


Doce utopia
Desejo ígneo de abraçar o Sol
Em prol da paz infinita
Fazendo da luz das estrelas
Angélica alegoria...

APENAS O AMOR!



































Thursday, October 19, 2006


ASSASSINATO



Vozes se erguem, transformando sons em brados
cânticos enviesados se fazem presentes na hora
uma suave brisa desorienta-se e venta forte
previsões de morte, aéreas, grifam o pano

O cheiro é forte, o gosto é acre e a cor se avulta,
aparecem fantasmas, a desfilar, atentos
ao fim que se aproxima em lentos
passos vis e descompassados.

O colosso ergue-se, enquanto os olhos tremem
as mãos tentam esconder o horror ao tato
os passos se aligeiram, e as pernas se enlaçam
o corpo escorrega
denso
ao toque do carrasco
e
enfim,
sucumbe, estanque,
sobre as pedras pontiaguadas

Um fio de sangue colore o momento


Heloisa Helena - 16.10.1990

Monday, September 25, 2006

Ratos Di Versos

PASSADO

Quando volto ao
passado minha voz se
funde

com a razão da
distância

Ri-se a vontade de voltar atrás,
sem olhar pra
frente

gargalha a insensatez das manhãs
adormecidas

em sacos de
dormir

em uma vigília
prenha

em uma universidade
qualquer

Ouço os passos
ocos

das botinas da ditadura
e ainda sinto o peso do cacetete em minhas costas


Vejo-me
correndo,

e os cavalos
atrás

enquanto canto a
Internacional

Documentos escondidos por toda
casa

no fogão, no telhado,
engolidos

companheiros
abatidos

o país cheirando a
sangue

vozes abafadas pela
demência

carações dilarecerados
dedos cortados
pernas que já não mais podiam
correr

mamilos
queimados

estupros, ruínas
A anistia urrada a cada
esquina

vozes torturadas
de quem queria
viver

Soldados ornados de
sadismo

vandalismo
iniqüidade...

Olho pra trás
e lembro
do tempo em que tudo era
coragem...


Heloisa Helena -
25-9-2006

Wednesday, September 20, 2006

Ratos Di Versos: Passos

ESTALAR DE DEDOS

Te qauero tanto,
pois nunca nada fostes e
em tudo penetraste,
como uma serpente, que
enlouquecida,
despojou-se do veneno
e acabou virando um traste

Te chamo tanto
pela insana madrugada que
meus clamores em tua estrada
como agüentas, não sei mais
e minhas chamas que, à distância,
permanecem em tua cama

Ah! Mas como é grande
esta saudade tão revolta
assoviada como um canto à tua volta
e amarelada como um papel que cruza o tempo

O que não entendo
é este amor
surdo e raquítico
enlameado por vivas ironias
desencontrado na catarse de uma orgia e
que já devia estar lavrado em testamento...

Mas, quando sinto acordado o sentimento
doem minhas ancas e
em tormento
pulsa o coração - já enferrujado -
escorrendo, pois, sangue pelas ventas
deste amor, viril e sentenciado.

Dói.
Vem lá do fundo a dor nefasta que
meu corpo toma e
febril se alastra
devassando o espectro da esperança

E, este amor que tanto amo,
chamo e quero...
... que fugiu das pedras
que atravessou as eras
e num ciclone vai-se transformando...

Ah! Deste amor, um só sinal espero
e um estalar de dedos que me acorde
e me permita ir, andando
para alcançar alguma encruzilhada
que me permita esclher a minha estrada:
A trilha da MULHER ou
do molambo...

Monday, September 11, 2006

Heloisa Helena - 11/09/2006
Creio nos deuses
nos mitos
nas vozes oceânicas que chegam pelos ares
no amor cabalístico de Eros
e nos trovões de Zeus
na beatitude profana dos habitantes do Olimpo
que guardavam as Horas e as Épocas
Nos festejos com ambrósia e néctar
oferecidos na bandeja de Hebe
Creio no feitiço da lira de Apolo
que as vozes das Musas fazia tremer
Creio que a Aurora, o Sol e a Lua
nasciam no Oceano
e se punham no mesmo lugar
Na fúria dos Titãs
que dominavam o mundo
e na solidariedade divina
que destronou Cronos
Creio em Aegis
refletindo a cabeça da Medusa
Em Hera, rainha e disciplinadora do Olimpo
protetora das mulheres
e da estabilidade conjugal
Orgulhosa, sensível, possessiva...
simplesmente, mulher
Crendo, crio
criando, me delicio
nos mares, nos ares, nas fogueiras,na terra
e no éter
da poesia...